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Sexta-feira, 03 de setembro de 2010
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Joaquim Nabuco: um grande brasileiro

Ricardo Barros*

“O verdadeiro patriotismo é o que concilia a pátria com a humanidade.”

No próximo dia 17 de janeiro, rememoraremos cem anos da morte de Joaquim Nabuco, um grande brasileiro. Nabuco foi político, diplomata, historiador, jurista, jornalista e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Foi também um dos grandes articuladores políticos e diplomatas do Império. Escreveu diversas obras, dentre as quais se destacam O Abolicionismo e Minha Formação. Nessa última obra se percebe uma aparente contradição: apesar de ter nascido e sido educado numa família escravocrata, optou pela luta em favor da libertação dos escravos. No caso do Brasil, país que amava tanto, apesar de viver parte de sua vida no exterior, sentenciou: “a escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do país”.

Filho do político e senador do Império José Tomás Nabuco de Araújo Filho e de Ana Benigna de Sá Barreto. Casou-se tarde com Evelina Torres Soares Ribeiro. Deste casamento, nasceram cinco filhos.

Nabuco se opôs veementemente à escravidão que considerava uma terrível herança colonial brasileira. Lutou contra ela através de seus discursos e de sua atividade política. Foi o fundador da Sociedade Antiescravidão Brasileira e fez campanha na Câmara dos Deputados contra a existência dessa chaga na história do país. Foi ele um dos responsáveis diretos pela assinatura da Lei Áurea, realizada pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888. Como a abolição teria contribuído para o fim da monarquia no Brasil e Nabuco não acreditava nas benesses do novo regime, retirou-se da vida política por algum tempo, tornando-se embaixador nos Estados Unidos somente entre 1905 e 1910. Joaquim Nabuco passou muitos anos na França e na Inglaterra e tornou-se por lá um forte defensor do pan-americanismo, chegando a presidir a conferência pan-americana de 1906.

Joaquim Nabuco foi um ícone em sua época. Se pudermos falar em uma espécie de super star, esse foi Nabuco. Seu nome foi estampado nos rótulos de cigarros e bebidas ainda no Segundo Império. Era um homem alto e bem apessoado, que causava suspiros nas mulheres de sua época.
Apesar de ter se casado com Evelina, o verdadeiro amor de sua vida foi, de fato, Eufrásia Teixeira Leite, uma mulher fora de seu tempo que se tornou investidora profissional e que oferecia constantemente ajuda para financiá-lo.

*Ricardo Barros é Mestre em Educação pela Universidade de São Paulo, formado em História e Pedagogia pela mesma universidade e Professor de História do Colégio Paulista.


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