Semana passada estreou nas telas de todo o país o filme Lula, o Filho do Brasil. Com direção de Fábio Barreto e baseado no livro homônimo de Denise Paraná, a película traz para as telas o percurso de Luiz Inácio Lula da Silva, do seu nascimento até 1980, quando era um líder sindical consagrado. A data marca também a morte de uma pessoa extremamente influente em sua vida e em sua forma de pensar: Dona Lindu, Eurídice Ferreira de Mello, (vivida no filme pela atriz Glória Pires) que criou oito filhos sozinha, e tinha como lema "Nesta família ninguém vai ser ladrão ou prostituta". Ela cumpriu a promessa, além de ter dado a luz ao futuro presidente do país.
Nascido em 27 de outubro de 1945, Luís Inácio da Silva, o Lula, mudou-se com a família do interior de Pernambuco para Santos, no litoral de São Paulo, para escapar da miséria do sertão nordestino. Quatro anos mais tarde mudou-se para a cidade de São Paulo. Lá, ainda criança, trabalhou como vendedor ambulante, engraxate e office-boy. Aos 15 anos, tornou-se aprendiz de torneiro mecânico e aos 18, em um acidente de trabalho, perdeu o dedo mínimo da mão esquerda.
A trajetória política de Lula teve início após a morte prematura da então esposa, a operária Maria de Lourdes, e do primeiro filho do casal após o parto, em 1971. Apoiado pelo irmão, José Ferreira da Silva (conhecido como Frei Chico), Lula voltou suas atenções à atividade sindical a fim de esquecer seu drama pessoal. Entre 1975 e 1978, já casado com a também viúva Marisa Letícia, sua companheira ao longo dos últimos anos, foi eleito duas vezes presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, liderando a primeira greve durante a época do regime militar brasileiro. O movimento teve início em 12 de maio de 1978, após dez anos sem paralisações no país, e contou rapidamente com a adesão de cerca de 150 mil metalúrgicos.
Em 1980, o atual presidente deu seu primeiro passo rumo ao Palácio do Planalto, sendo um dos co-fundadores do Partido dos Trabalhadores. Naquele ano liderou uma segunda greve geral e foi preso pelo regime militar. O filme para por aí.
Em junho de 1983, Lula participou também da fundação da CUT (Central Única dos Trabalhadores).
Em 1986, Lula foi eleito deputado federal constituinte com a maior votação do país. Concorreu à presidência da República três anos depois, quando foi derrotado no segundo turno por Fernando Collor de Mello, e em 1994 e 1998, quando perdeu para Fernando Henrique Cardoso.
Em 1995 deixou a presidência do PT e tornou-se presidente de honra do partido. Em 2002, foi eleito presidente do Brasil - com votação recorde de mais de 50 milhões de votos - contra o atual governador do estado de São Paulo, José Serra. Reelegeu-se em 2006, vencendo em segundo turno o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira, Geraldo Alckmin.
Na presidência, a gestão de Lula tem seguido a política econômica de seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, conseguindo com isso colocar o país no rumo do desenvolvimento econômico. O atual presidente também tem surpreendido os observadores da cena política por conseguir manter altos índices de aprovação e popularidade, descolando-se das denúncias de corrupção que atingiram seus auxiliares mais próximos ainda no primeiro mandato.
O filme Lula, o filho do Brasil deve ser visto com ressalvas em ano eleitoral. Pode ser entendido como a trajetória de um grande homem que saiu do nada para ocupar o cargo mais importante do país ou como uma malfadada propaganda política. Isso só os espectadores poderão dizer.
*Ricardo Barros é professor de História do Colégio Paulista, mestre em Educação pela Faculdade de Educação da USP, Bacharel em História e Licenciado em Pedagogia pela mesma universidade.