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Dez anos do onze de setembro

em: Artigos

 

Ricardo Barros Sayeg
Há dez anos atrás ocorria o atentado terrorista que iria mudar a história do mundo contemporâneo: o ataque às Torres Gêmeas, em Nova York, no dia onze de setembro de 2001.
Me lembro bem daquele dia. Estava na sala de aula do Colégio SAA, em Santana, quando um aluno com fones no ouvido teria me dito: “professor, está começando a terceira guera mundial!”. Eu disse: “desliga esse radinho, menino, preste atenção na aula!” E ele continuou: “mas aquele prédio de mais de cem andares de Nova York está sob ataque!” “Um avião atingiu o edifício!” Fiquei apreensivo, mas continuei minha aula que aquele dia falava sobre o governo JK. Quando desci para o intervalo, o computador da sala dos professores estava ligado na internet e notei a dimensão do problema. De fato aquele não era um acidente qualquer. Os Estados Unidos estavam sob ataque!
Depois daquele acontecimento a história do mundo nunca mais seria a mesma. Os Estados Unidos atacaram o Afeganistão em busca da Al Qaeda, de Osama Bin Laden (que só seria capturado em 2011) e, depois, atacaram o Iraque, destituindo aquele que era considerado o principal inimigo dos Bush: Saddan Hussein. Os Estados Unidos entraram então numa fase de guerras e de gastos militares que só tiveram precedentes durante a Segunda Guerra Mundial. Os norte-americanos que haviam sido a principal potência mundial, após o esfacelamento da União Soviética estavam gradativamente abandonando aquele posto. A China gradualmente passa a aumentar seu PIB e torna-se uma potência importante no cenário mundial. Entre 2001 e 2011, enquanto os Estados Unidos enfrentavam a “guerra ao terror”, a China pasou de sexta para ser a segunda maior economia do mundo. Seu peso na produção global quase triplicou, de 3,7% para 9,3%; o dos Estados UNidos caiu de 31% para 23%.
Os Estados Unidos, país caracterizado pelas dicotomias, vivem um dilema constante: uma boa parcela da sociedade defende a guerra e a postura belicosa do país, enquanto se forma nas grandes cidades, uma cultura pacifista que quer o fim das guerras e uma maior dedicação do governo Obama para os problemas internos do país.
Hoje vivemos um mundo multipolar, com a União Europeia, a China e os países emergentes (Brasil, Rússia, Índia e China) como principais polos do globo. Os Estados Unidos vivem uma crise econômica bastante complicada, enfrentando um enorme déficit interno, crise nas contas públicas e desemprego crescente. Será o fim do Império? O futuro é incerto, mas que o mundo após aqueles ataques nunca mais será o mesmo, isso é bem verdade!
*Ricardo Barros Sayeg é professor de História e diretor de escola. Formado em História e Pedagogia pela Universidade de São Paulo (USP) é também mestre em Educação pela mesma universidade.

 

 

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