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A renúncia de Jânio

em: Artigos

 

Ricardo Barros Sayeg
Há cinquenta anos atrás, no dia 25 de agosto de 1961, Jânio da Silva Quadros renunciava ao governo brasileiro, após uma desastrada estadia no Palácio do Planalto. A eleição de Jânio teve como símbolo a vassoura. Com esse instrumento, pretendia varrer a corrupção do país. Entretanto, sem apoio parlamentar, o presidente eleito não tinha condições de governar. Suas medidas tinham um caráter midiático que agradava a classe média: proibiu o maiô nos concursos de misses, a briga de galos, a corrida de cavalos em dias úteis, a veiculação de comerciais nos cinemas, entre outras medidas sem a mínima importância.
Se sua política interna foi irrelevante, sua política externa teve algum significado. Sob a batuta de Afonso Arinos deu-se continuidade à Política Externa Independente: condenou a invasão de Cuba pelos Estados Unidos, procurou uma reaproximação com a União Soviética e com a República Popular da China. Chegou até a condecorar Che Guevara com a Ordem do Cruzeiro do Sul, a maior honraria concedida pelo governo brasileiro a um líder revolucionário socialista.
Todavia, seu conturbado governo terminaria no dia do Soldado, 25 de agosto de 1961. No dia 24, após uma noite atribulada, decidiu-se pela renúncia. Acreditava que os militares e a população se reuniriam e o reconduiziriam ao poder. Erro estratégico. Não havia força popular, nem partido político, nem um grande contingente de militares que o apoiavam. Naquele fatídico 25 de agosto de 1961, o ex professor de Geografia do Colégio Dante Alighieri embarca para São Paulo e, em seguida, segue em um navio cargueiro para a Europa. Estava aberta a porta para que os militares tomassem o poder, como de fato aconteceu em 31 de março de 1964.
Jânio representou para a história do Brasil um capítulo de sobressaltos. No dizer de Afonso Arinos: “Ele foi a UDN de porre no governo”. Melhor definição não há.
*Ricardo Barros Sayeg é professor de História e diretor de escola. Formado em História e Pedagogia pela Universidade de São Paulo (USP) é também mestre em Educação pela mesma universidade.

Ricardo Barros Sayeg
Há cinquenta anos atrás, no dia 25 de agosto de 1961, Jânio da Silva Quadros renunciava ao governo brasileiro, após uma desastrada estadia no Palácio do Planalto. A eleição de Jânio teve como símbolo a vassoura. Com esse instrumento, pretendia varrer a corrupção do país. Entretanto, sem apoio parlamentar, o presidente eleito não tinha condições de governar. Suas medidas tinham um caráter midiático que agradava a classe média: proibiu o maiô nos concursos de misses, a briga de galos, a corrida de cavalos em dias úteis, a veiculação de comerciais nos cinemas, entre outras medidas sem a mínima importância.Se sua política interna foi irrelevante, sua política externa teve algum significado. Sob a batuta de Afonso Arinos deu-se continuidade à Política Externa Independente: condenou a invasão de Cuba pelos Estados Unidos, procurou uma reaproximação com a União Soviética e com a República Popular da China. Chegou até a condecorar Che Guevara com a Ordem do Cruzeiro do Sul, a maior honraria concedida pelo governo brasileiro a um líder revolucionário socialista.Todavia, seu conturbado governo terminaria no dia do Soldado, 25 de agosto de 1961. No dia 24, após uma noite atribulada, decidiu-se pela renúncia. Acreditava que os militares e a população se reuniriam e o reconduiziriam ao poder. Erro estratégico. Não havia força popular, nem partido político, nem um grande contingente de militares que o apoiavam. Naquele fatídico 25 de agosto de 1961, o ex professor de Geografia do Colégio Dante Alighieri embarca para São Paulo e, em seguida, segue em um navio cargueiro para a Europa. Estava aberta a porta para que os militares tomassem o poder, como de fato aconteceu em 31 de março de 1964.Jânio representou para a história do Brasil um capítulo de sobressaltos. No dizer de Afonso Arinos: “Ele foi a UDN de porre no governo”. Melhor definição não há.

*Ricardo Barros Sayeg é professor de História e diretor de escola. Formado em História e Pedagogia pela Universidade de São Paulo (USP) é também mestre em Educação pela mesma universidade.

 

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